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EvilSpecial – Por que o final de Maria em Silent Hill 2 é muito especial?

O relacionamento dos jogadores com jogos de terror pode ser bastante complicado, afinal, eles podem ficar fascinados pelos monstros barulhentos e contorcidos em séries como Resident Evil, Forbidden Siren e Silent Hill, mas sentindo muito medo de colocar os cd’s em seus consoles. Alguns fãs do survival horror vão além: se debruçam sobre as explicações do enredo e visualizam os sites de fãs e as postagens nos fóruns, tentando extrair o máximo de informações possíveis sobre esses mundos absurdos, seja jogando o game, ou sem realmente tomar o destino de um personagem nas mãos.

Neste caminho de pesquisa feito pelo jogador, sobre as histórias fascinantes dos survival horrors, quando ele chega a Silent Hill 2 – um dos clássicos de todos os tempos do gênero – acaba por descobrir qual final é mais precioso: o de Maria.

Fóruns na internet sempre estão discutindo se o final “Leave” ou “In Water” de SH2 era o mais satisfatório. Para os não iniciantes, em “Leave”, James se afasta da cidade de Silent Hill, tendo perdoado a si mesmo por misericórdia matando sua esposa e então embarca em direção a uma nova vida, potencialmente com uma nova filha na forma de Laura. Em “In Water”, James não consegue se perdoar pelo que foi um ato gerado por desgosto em relação à sua esposa doente terminal, Mary, e ele entra no lago com o corpo dela no porta-malas do carro para cometer suicídio.

Esses finais representam uma dicotomia bastante clara – James como um cônjuge benevolente que se culpa demais e aprende o perdão por si mesmo, e James como um monstro egoísta que percebe que é irredimível e quer evitar fazer mais mal. A primeira opção tenta traçar uma linha sob a experiência traumática de James em Silent Hill, mas sabemos que há pouca chance de que James possa viver uma vida normal (Laura talvez possa, já que ela é incapaz de ver os “monstros” em Silent Hill por causa de sua alma pura).

A segunda opção não desenha apenas uma linha, ela separa completamente a história na raiz, com James decidindo que os eventos do passado são inescapáveis para ele. De certa forma, isso é mais realista, porque suas visões da cidade de Silent Hill eram tão angustiantes e corrompidas que ele nunca mais verá a vida da mesma maneira. A progressão de um estado amnésico de tentar encontrar sua esposa, para saber que ele é responsável por seu desaparecimento e morte final, é um desenvolvimento sombrio, mas natural, do enredo.

A terceira opção em um gameplay pela primeira vez – o final de “Maria” – talvez não seja tratada como um final completo, porque tem uma típica natureza final “ruim” para ele. É tão óbvio para o jogador que sair com Maria, uma manifestação de Mary que é mais sedutora, não é uma boa ideia que parece um beco sem saída tradicional, ao invés de um verdadeiro final para o jogo. Mas esse final permite que Silent Hill 2 se mostre como uma fábula e mostra a fraqueza de James mais do que qualquer outro final (embora “Rebirth” faça um bom trabalho ao mostrar James em seu desespero).

No final de “Maria”, James deixa Silent Hill com Maria para continuar de onde ele parou com Mary. Bom, Harry não fez basicamente isso com a nova Cheryl no primeiro jogo do Silent Hill? Então, por que isso não funcionou para ele? Na verdade, ele tem o que buscava ao visitar Silent Hill – ele encontrou pelo menos alguma versão de sua esposa perdida. É quando Maria tosse, fortemente, insinuando que a história está prestes a se repetir, que as coisas ficam interessantes.

O final “Maria” é aquele em que James não aprende nada do seu tempo em Silent Hill. É quase como uma parábola para a fraqueza do homem, cega pela beleza e pelos impulsos sexuais a ponto de que até mesmo os monstros e as experiências traumáticas de Silent Hill caiam em segundo plano. James estaria preso em um ciclo: talvez ele acabe voltando a Silent Hill a cada dois anos, uma vez que Maria volte a se transformar em Mary e seja morta por suas mãos mais uma vez. E não é assim tão errado para um final: se você estivesse preso no tormento de Silent Hill, não desejaria se agarrar ao brilho de esperança mais conveniente e sedutor que poderia encontrar?

O final de “Maria” também descreve James não como um homem perverso, mas como um homem defeituoso. Este é um afastamento dos outros jogos da franquia Silent Hill, que tratam seu personagem principal como bom ou em grande parte neutro, embora, curiosamente, tanto Homecoming quanto Downpour brinquem com essa ideia. Pessoas perfeitas não acabam na cidade de Silent Hill, no estilo purgatório, mas pessoas totalmente malévolas não têm a chance de se redimir – elas são malditas em certo sentido. É interessante pensar em Silent Hill não apenas como uma manifestação dos pesadelos das pessoas, mas também como um campo de testes morais ou um lugar onde as pessoas podem exorcizar seus demônios.

A ideia de James ser um marido sobrecarregado, mas amoroso, não se encaixa com todos os outros que estão em Silent Hill. Eddie reagiu mal aos incidentes de intimidação e se tornou violento, e está claramente manifestando seu próprio ódio e culpa na cidade. Angela sente muita vergonha e trauma de abuso infantil, sentimentos extraviados que ela é incapaz de processar. Laura não está lá por causa de qualquer ato que tenha cometido, mas por causa de sua ligação com James através de Mary e seu conhecimento da miséria de Mary antes de sua morte.

Eles são todos fardos e tentam aprender como lidar com emoções incapacitantes, e a maioria dos visitantes de Silent Hill não o faz. Faz sentido que James também deixasse de passar no teste que Silent Hill furtivamente o coloca através de Maria.

O conteúdo extra de Born From a Wish não agradou a alguns fãs por sugerir que Maria é um ser independente com seus próprios pensamentos, mas é interessante a ideia de Maria tentar entender quem ela é, e não perceber que ela é apenas um espectro de Mary sem outro propósito. Lembra um pouco a série Blade Runner e em como os replicantes não sabem que são replicantes. Para ser um teste para James, um que ele finalmente falha, é importante para Maria manter o fingimento. A melhor maneira de garantir que ela mantenha essa fachada é se ela mesma não sabe quem ela realmente é.

O personagem de Maria é um dos componentes mais interessantes de Silent Hill porque ela oferece uma escolha para James – aprenda com o erro ou cometa mais uma vez. É o único final que realmente envolve sua jornada e se concentra menos em James se perdoar, porque, na verdade, é implausível que James possa chegar a um acordo com o que ele fez com a mulher que amava.

Concluindo, Silent Hill 2 é melhor servido por um final muito triste, que “In Water” oferece com louvor. Mas a pulga na orelha do final de “Maria” eleva Silent Hill 2 de uma narrativa de mistério comovente para uma fábula moderna sobre os perigos da beleza superficial.

Adaptado de Rely on Horror

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